quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Disputa materna

Ela é cruel, impiedosa. Chega ser pior que a disputa masculina, a disputa por territórios, a disputa entre chefes de nações. É uma disputa sem fim. Vale todas as armas (no caso, palavras), para derrubar o adversário. É impressionante como uma mãe quer demonstrar ser melhor que a outra. Em tudo!

A disputa começa ao engravidar. Como nas novelas mulher grávida desmaia, tem tontura, enjoo só de ouvir em falar de comida. A mulher fora da telinha também quer ter. Aí a gente vem pra realidade e descobre que enjoo é foda pra caramba. Que é horrível você já não ter mais nada no estômago e mesmo assim, está vomitando. A ponto de tomar seis Dramim por dia e o diacho do enjoo não passa. Aí vem a outra grávida. Aquela que não teve enjoo nenhum. Aquela que comia de tudo e não sentia nem um tiquinho de nada. E esfrega isso na cara da mãe enjoada, como uma vitória!

O tamanho da barriga também é uma boa disputa. “Nossa! Você está com a barriga deste tamanico com cinco meses?” ou “A minha já apareceu logo no 2.º mês. Todo mundo via que eu estava grávida!”, como se o tamanho da pessoa, o tamanho do companheiro, a estrutura física da pessoa, nada disso, fosse levado em consideração...

Tem a grávida, que quer ser mais grávida, andando que nem pato. Tem a outra que quer dançar na cara da sociedade de salto. Tem a que se cuida, usa maquiagem, mesmo depois de uma noite demoníaca, sem dormir por conta das dores nas costas e a ida constante ao banheiro, mas que afirma veemente, que está ótima para a outra grávida, que prefere verbalizar o que não está legal na gestação.

Enfim... isso não para por aí. Temos a questão do nascimento da criança, discussão aqui já tida, em relação ao parto X cesárea. Em um país cheio de médicos cesaristas, o parto normal se tornou tabu. Pior, umas mães desdenham das outras. Pior ainda, independente do modo como seu filho nasceu, vejo que a vontade de divulgar e lutar pelo PN se tornou algo louco, tanto dos cesaristas – que não querem ter trabalho, como se uma cesárea não fosse uma cirurgia e não desse trabalho – como das mulheres que conseguem o seu PN e desdenham das outras mulheres que foram pra faca.

Aí depois que nasce tem a disputa sobre o desenvolvimento da criança. “Meu filho consegue chupar o dedo do pé já!”, “Ai... você precisa ver! Com uma semana já reconhece a voz do pai”, “Nossa! Sua filha ainda não está virando sozinha? A minha virou sozinha com uma semana!” e por aí vai...

E aí, a mãe que não leu, não se preparou para a maternidade e as que se prepararam e leram também, piram. Tipo, eu. “Será que não estou estimulando minha filha direito?”, “será que estou fazendo algo errado?”

O bom mesmo é quando você encontra outras piradas como você. Daí você consegue trocar figurinhas e ver que a sua piração – muitas vezes – é sem fundamento. Cada ser é único, certo? É isso que a gente tenta todo dia deixar claro para todo mundo, não é mesmo? então, por que cargas d’águas, com um bebê iria ser diferente?

Faz uns 10 dias que a Angelina vem ensaiando andar. Comentei isso com uma pessoa próxima que também tem filha pequena. “Nossa! Mas só agora? A minha andou com tanto tempo”. Bacana... aí fui pra casa pensando e decidi abstrair... afinal, a Angelina vai andar, correr, comer sozinha, cutucar o nariz, deixar de usar fraldas, dançar um tango (se dançar!), quando ELA quiser!

Não quero acelerar nada... vamos viver cada fase de uma vez. Sacou?

PS.: As concorrências e comparações maternas não param nunca, tá?! Quando seu filho arranjar uma namorada, a do filho da vizinha, será mais bonita. Quando sua filha casar, o casamento da filha da prima da cunhada, vai ser muito mais bonito e caro. E por aí vai...

Angelina com o "TiNil" dandando no quintal <3


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

E aí, como fica?

É assim: antes de ser jornalista, sou professora. Desde os 17 anos. No magistério tive contato com os pequenos, que são tão dependentes da “prô”. Acompanhei o dia-a-dia, o desenvolvimento de alguns. Me lembro, inclusive, o por que de eu ter parado com as aulas, tendo um hiato bem grande, até voltar a ser professora universitária.

E aí eu acompanhei bem de perto a vida escolar do meu irmão caçula, que era terrível, de verdade, deixando qualquer professora de cabelo em pé! Bem como, venho acompanhando a da minha sobrinha mais velha. E aí eu fiquei grávida. E aí minha filha foi pra escola. E aí a gente tem história pra contar, todo dia, boas e ruins.

É impressionante o desenvolvimento da Angelina. A autonomia que ela tem, como ela é simpática e gosta de se relacionar com outras crianças. Sem contar a independência que a cada dia é visível. Isso me deixa mais tranquila, pois sei que a coloquei num ambiente que a estimula, mas que não pula fases. Que não tem a TV como “educadora”. Na época que eu estava procurando escolas, cheguei cogitar uma babá para colocar dentro de casa. Mas, além de ficar muito mais caro, o que essa pessoa poderia ensinar e ajudar no desenvolvimento da nossa filha? E, conforme já contei aqui, não existia a possibilidade de eu parar de trabalhar para ficar com a Angelina em casa. Mas, enfim... essa é a nossa história.

Voltando a questão do bom e ruim, são algumas situações que você não tem como evitar, que não está ao seu alcance, que mesmo que eu estivesse 24 horas com a minha filha, acredito que nem sempre conseguiria evitar. Vou explicar:

Esses dias a Angelina chegou de “olho roxo”. A professora me explicou que ela subiu em cima de um amiguinho, que não gostou. Ela empurrou ele e ele devolveu com um tabefe. O que eu poderia fazer? Brigar com a professora? Brigar com a mãe da outra criança? Brigar com a Angelina? Ou com o amiguinho?

É chato? Claro que é. Só que olha como criança sabe o que fez de errado. A gente perguntava para a Angelina o que aconteceu com o olho, ela levantava a mão e dizia “pala”, ou seja, pra gente parar de perguntar, por que ela não queria falar do assunto rsrsrs

E aí eu conto para vocês, que eu já vi mãe louca, tresloucada, pirada mesmo, discutindo com uma outra mãe por que seus filhos “se agrediram”. Acredito que o que se tem que fazer, é ficar na altura da criança, olhar nos olhos, mesmo ela tendo um ano como a Angelina, e explicar que a atitude está errada. Você pode até pensar que eles não entendem. Mas, entendem sim!

Tanto entendem, que eles mesmos se resolvem. Em pouco tempo, voltam a brincar, a se entender. E os responsáveis? Ficam com cara de tacho.

É claro gente, que não estou dizendo aqui, que você tem que deixar “correr solto”. Tem que ficar de olho sim. Mas, acima de tudo, temos que saber ouvir. Eu lembro quando dava aula para uma turma de Publicidade e Propaganda, eu tinha uma aluna que falava pelos cotovelos e o tempo todo eu pedia para ela ficar quieta. Um dia ela me respondeu: “Professora, eu faço comunicação!” e nesse mesmo momento eu rebati que “comunicar é saber ouvir”... então mães, saibam ouvir as professoras, cuidadoras, babás, etc. 

Não tampem o sol com a peneira! Vocês conhecem as suas crias. Então, ninguém tem 100% de culpa. E claro, que normalmente, a gente coloca a culpa no outro ;) é mais fácil, não é?

Estou escrevendo sobre isso, por me sentir incomodada, em ver algumas atitudes de pais com professores ou com os cuidadores. Até mesmo, pessoas que deixam a criança com as avós e cobram daquelas senhorinhas, que muitas vezes não estão aguentando cuidar delas mesmas, que cuidem, zelem, fiquem de olho na criança. E aí, que atire a primeira pedra, a mãe que nunca piscou e o filho saiu do campo de visão e já estava fazendo algo do outro lado da casa... E aí? Como fica? Você vai brigar com quem? Afinal, não era você que estava de olho?

Pensando....

Daí eles fazem as pazes e você? Fica com cara de tacho ;)


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Menos opinião, mais apoio

Todo mundo gosta de palpitar na vida alheia. Todo mundo tem uma opinião para dar. Todo mundo sabe o que fazer se estivesse no lugar do outro. Todo mundo critica. Todo mundo “tem uma velha opinião formada sobre tudo”.

Pra se ter ideia, quando eu voltei a trabalhar, uma pessoa olhou pra mim e disse: “como você tem coragem de deixar sua filha numa escola? Você vai ver, ela vai te cobrar depois.” Tipo, a pessoa me “sentenciou”. Ouvi muitas perguntas do tipo “você não tem dó?”

Dó eu teria se minha filha precisasse de alguma coisa – como, por exemplo, o leite NAN dela – e eu não tivesse dinheiro para comprar. Aí vem aquela opinião que diz que é melhor mais qualidade de tempo junto à criança, do que a quantidade. Outros já defendem que a quantidade é a melhor opção. Aí ao mesmo tempo que eu me culpo por ter pouco tempo com a Angelina, eu penso na encruzilhada que estou, afinal, se eu não trabalhar para ajudar em casa, como ficam as necessidades dela e nossas. Mas, como o que não tem remédio, remediado está, sigo em frente e fazendo com que, o tempo que eu tenho com a minha filha, sejam os melhores.

Eu me assusto, de verdade! As pessoas passam, muitas vezes, do limite do bom senso. De dar opinião na vida alheia. É impressionante como outra pessoa, tem sempre a resolução para o seu problema, sabe exatamente o que você deve fazer, como fazer e quando fazer.

Claro, que muitas pessoas, quando VOCÊ PEDE para ela dar uma opinião, ela tem uma solução. Pois está fora da situação e sabe raciocinar melhor, para dar um “diagnóstico”. Mas, isso é quando você PEDE para a pessoa se intrometer. Quando você AUTORIZA alguém se intrometer.

Esses dias eu vi, um menininho fofo, fazendo “O” escândalo em um supermercado. A mãe, coitada, demonstrava cansaço – provavelmente de um dia corrido, com muitos afazeres, de um dia de trabalho, ou enfim, do dia dela. Afinal, se o dia é dela, ela faz o que bem entender dele, certo? Mas, voltando. A mãe demonstrava cansaço e constrangimento, pela atitude do pequeno. Aí, tem aquelas “véias” – como eu tenho bronca de véia intrometida humpf! – pra dar palpite. Uma vira para a outra e diz: “meus filhos não faziam isso” a outra: “ahhhhh os meus também não! Um beliscão e já tinha parado ou nem começado!”

Hummmmm entendi a psicologia da coisa... ou seria psicoporrada?

Aqui, tenho que citar algo que soube pelo Facebook e que ouvi umas mães, criticando uma outra. Uma amiga linda e louca estava pesquisando produtos naturais que poderia utilizar para a limpeza dos cabelos da filha. E aí, ouvi outras mães (e umas mulheres não mães), criticando, que onde já se viu, não querer mais usar shampoo no cabelo da criança. Eeeeeeeeeeeeeeepa! Você pesquisou? Terminou de ler o post? Foi no Google e jogou “por que não usar shampoo para lavar os cabelos?”.

Não. Não fez nada disso. Mas, criticou a atitude. Nem sei se a mãe parou ou não, de usar shampoo na menina. Mas, se parou, isso é da conta de quem mesmo?

Claro que eu parto de um principio: se você coloca suas idéias, ideais, vontades, etc, numa rede social, você tem que estar preparado para a tão falada “invasão de privacidade”. Pois, tem quem compartilha das opiniões, quem não compartilha, quem te indaga e bate de frente, quem te indaga e fica escondido. No melhor estilo “bate e esconde a mão”.

Lembro que quando não consegui amamentar a Angelina, peguei no flagra duas pessoas conversando e falando que era manha minha. Que eu não queria amamentar a menina. Que meu peito não tinha nada. Nossa... aquela hora eu queria ser aluno de Hogwarts, sacar a minha varinha e lançar um “Avada Kedrava” na pessoa. Tá, podia ser a maldição “Cruciatus” também (quem é fã de HP entendeu :P).

O que eu vejo e o que eu quero com esse post é mostrar que, enquanto a gente está criticando uma mãe, por suas atitudes com a cria dela, a gente está igual o macaquinho, sentando em cima do próprio rabo. Você não está vendo que o seu teto é de vidro. Você não está cuidando do seu filho dentro de casa. E, se você já passou pela situação que a outra mãe, desesperadamente, está passando, e fez algo diferente, por que não tenta um diálogo? Por que não tenta ajudar?

Ah, esqueci. É mais fácil criticar, né? É mais fácil enfiar o dedo na ferida alheia...

Muita gente critica eu e o Arthur por não darmos doces, açúcares em geral para a Angelina. Mas, ninguém se habilita em ir pesquisar o porquê de não dar doces e açúcares para crianças, principalmente, tão pequenas. Mas, todos sabem nos olhar com cara ruim, sabem criticar, sabem questionar de jeito maldoso, quando vamos dar doce para ela.

São tantos exemplos que eu passei, que eu vi, que senti na pele o pouco caso das pessoas e isso entristece. Cada um tem sua opinião? Claro. Isso é mais que natural, saudável, livre. Teoricamente estamos numa democracia, certo? Mas, os seus direitos acabam, onde começam os meus. A sua opinião é sua. E a minha, é minha. Não é por que temos opiniões diferentes que uma é a certa e a outra é a errada. É o lance de cada um ter a sua verdade, sabe? E se acredita nisso, segue. Vai. Some! Não enche!



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

De Janeiro a Janeiro, até o mundo acabar...

12 meses. 365 dias. Um ano. Uma vida.

Minha pequena, você está completando um ano de vida. Foi tsunâmico este período! Passou muito rápido! Aconteceram tantas coisas, passamos por tantas experiências, aprendemos tanto com você, que é difícil de enumerar.

Foram os 365 dias melhores da minha vida. É clichê essa frase? Sim. E daí? Maternidade é clichê!

Eu tinha uma vida antes de engravidar, tive outra durante a gestação e agora, neste um ano, depois que você nasceu, tenho outra completamente diferente.

Muitas vezes ouvi dizer que eu era uma mulher forte, corajosa, “porreta”!

Aprendi o significado dessas palavras, depois que você nasceu, por que eu descobri uma força que eu tenho, algo que cresce dentro de mim quando penso em você, que chega a assustar. Me pego muitas vezes, imaginando as situações mais absurdas, que acontecem no dia a dia, e qual seria a minha reação. O que eu faria para te defender, te proteger.

Sempre fui brava! Explodia muito fácil e por muito pouco. Um dia te conto os problemas que isso me causou. Hoje, vejo que sou muito mais paciente. Que eu já sei contar até 500 mil e me acalmar, antes de descer a porrada na mesa (né Angelis?! rsrsrs).

Um ano filha... um ano que minha vida se transformou de um jeito inexplicável. Que eu comecei a me importar com a minha saúde, para que eu esteja bem, para poder estar com você. Um ano que meus cabelos longos, se tornaram curtos, para ter mais praticidade e perder menos tempo em arrumá-los, para ter mais tempo com você. Não me arrependo, pois assim também economizo e posso sonhar com outras coisas para comprar e fazer, também com você hehehe.

A vida do papai também deu um giro de 360º. Quando ele te olha, te abraça, te aperta e te pergunta: “por que você é tão linda?” Vejo nos olhos dele o cansaço de acordar de madrugada para te atender, mas também o infinito amor que ele sente por você.

Ter filhos é fazer escolhas. Fizemos a melhor escolha, com certeza. Mês a mês observamos e acompanhamos entusiasmados e assustados a sua evolução. Procuramos estimular suas atitudes, te cobrir de carinho, te dar parabéns e chamar sua atenção quando necessário. E você entende... ô se entende! Nos olha com a carinha mais safada do mundo, como quem quer nos conquistar, para que amoleçamos e você fique livre, para fazer o que quiser. Admito: é difícil resistir a um sorriso seu.

Já falei aqui do seu sorriso. Falo para todo mundo da sua simpatia. Da sua alegria. De como é bom ver você abrindo esse sorriso e iluminando tudo a sua volta. É isso. Você tem luz! Uma luz só sua, Angelina, que com a graça de Deus e o seu merecimento, ninguém vai apagar. Podem até tentar ao longo de muitos anos, mas não vão conseguir.

Com certeza você me transformou numa pessoa melhor. Não sou eu que digo. As pessoas a minha volta dizem que a maternidade me fez bem. E eu acredito nisso também. Acredito, pois por você, eu QUERO ser melhor. Eu QUERO dar o meu melhor para você e por você. Eu QUERO evoluir sempre, para assim como eu tenho MUITO orgulho da minha mãe, que você tenha um dia de mim.

De hora em hora, de dia em dia, de mês em mês, de ano a ano. Eu vou te amar. Sempre. De outubro de 2013 a outubro de 2014 minha vida é outra. E eu a adoro! Como diz um chefe meu, há o “ônus e o bônus”. Graças a Deus existem mais prós do que contras. E quando os pensamentos “contras” começam a querer invadir a mente é só pensar no que? No seu sorriso...

Enfim... feliz aniversário minha pequena. Minha grande filha! Que do alto do seu primeiro ano de vida, faz eu ter certeza que seja lá onde eu estiver, vou te amar... de janeiro a janeiro, até o mundo acabar <3

Na pele, o que está gravado há tempos no coração!


De Janeiro a Janeiro (part. Nando Reis)
Roberta Campos

Não consigo olhar no fundo dos seus olhos
E enxergar as coisas que me deixam no ar, deixam no ar
As várias fases, estações que me levam com o vento
E o pensamento bem devagar

Outra vez, eu tive que fugir
Eu tive que correr, pra não me entregar
As loucuras que me levam até você
Me fazem esquecer que eu não posso chorar

Olhe bem no fundo dos meus olhos
E sinta a emoção que nascerá quando você me olhar
O universo conspira a nosso favor
A consequência do destino é o amor
Pra sempre vou te amar

Mas talvez você não entenda
Essa coisa de fazer o mundo acreditar
Que meu amor não será passageiro
Te amarei de janeiro a janeiro
Até o mundo acabar

Até o mundo acabar
Até o mundo acabar
Até o mundo acabar

Mas talvez você não entenda
Essa coisa de fazer o mundo acreditar
Que meu amor não será passageiro
Te amarei de janeiro a janeiro
Até o mundo acabar

Até o mundo acabar
Até o mundo acabar
Até o mundo acabar

De janeiro a janeiro


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Coisas que mãe acredita que são inacreditáveis

Linha vermelha ou pedaço de algodão, babado, colado na testa do neném, para passar o soluço. Quem nunca? Levar na benzedeira por causa do “vento-virado”, das lombrigas que estão agitadas, colocar a roupa do avesso e por para dormir do lado contrário do berço, para uma noite de sono completa. Passar o pente no seio para descer o leite. Não deixar o bebê arrotar no seio, senão racha. Cocô verde? É quebrante. 

Você acha estranho acreditar nessas “crendices”? Algumas, eu também não colocava fé, não. Até ter a Angelina...

Minha vó benze. Faz, pelo menos, uns 60 anos aqui em Maringá. Então, desde quando a Angelina nasceu, a gente dá uma passada lá pra ver a “biza” e pra ela “passar o ramo” na pequena. Mas, teve dias de desespero! Da minha própria vó, olhar pra gente e dizer “não é pra mim, procura outra benzedeira”. Gente! E pra achar benzedeira? Não é mais tão fácil, como nos antigamente, que em cada bairro, tinha umas duas. Tô falando de benzedeira de verdade! Daquela que faz oração e você fica até mole, de tão bem que fica.

Superstição? Fé? Coincidência? Pelo sim, pelo não, levamos para benzer a Angelina em uma outra senhora que conhecemos nesta busca maluca e funcionou. Pelo menos por uns dias. E já indiquei ela, viu? E levo de novo se precisar. Oração, nunca é demais!

A linha babada na testa, para passar o soluço, tivemos uma experiência com isso e foi muito engraçado. Primeiro fim de semana que eu e o Arthur ficamos sozinhos com a Angelina, sem mais ninguém, ela mamou e logo em seguida começou a soluçar. Tentamos esquentá-la para o soluço passar, já que algumas pessoas dizem que é frio. Não passou. E ela continuava a soluçar, de sacudir todo o corpinho. O Arthur arrancou uma linha da camisa dele, colocou na boca e depois “colou” na testa da pequena. Gente, eu juro! Parou o soluço. Instantaneamente. Um olhou para a cara do outro e começou a rir! Kaokaoakoa

Deu certo também, quando ela trocou a noite pelo dia e não queria dormir de jeito nenhum, nem um pouquinho a noite. O Arthur foi até a empresa que eu trabalho e uma mãe experiente, disse para vestir a roupinha da Angelina do avesso, enrola-la na camisa do Arthur e coloca-la para dormir do lado contrário do berço. Pois assim fizemos. O desespero de ouvir o chorinho dela, o meu cansaço, tudo aliado a nossa primeira viagem, nos fez seguir a dica. E ela dormiu a noite inteira, com cinco dias de vida. Sim, ela dormiu. Pelo sim, pelo não, repetimos algumas vezes o ritual. Até que não funcionou mais rsrsrs aí partimos para outras dicas.

É aquela história: fé e futebol, você não pode discutir com ninguém. E todo mundo é ateu, até o avião começar a cair. E todo mundo torce para alguém, quando começa a Copa. ;)



quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Xixi no potinho

Sempre quando vou ao médico e eles me pedem exames, pergunto se tem como trocar o de urina por mais algum de sangue. Desde sempre, nunca gostei daquele potinho.

De uns tempos pra cá, o potinho vem diminuindo e ficando mais difícil acertar o xixi dentro dele.

Você chega ao laboratório, tensa, por que terá que ser furada para colher o sangue. No meu caso que tenho pavor de agulha, a coisa é um pouco pior. Pressão cai, choro, tremo, um horror! Aí a enfermeira, por que também fica nervosa com a situação, não pega a veia direito ou de uma vez. Aí coloca o escalpe em outro braço, aí procura a veia. Aí começa tudo de novo.

Durante a gestação, todo mês praticamente tinha exame de sangue, quando não era por conta da gestação, era por conta da artrite. No começo da gravidez tinha exame de xixi também. Mas não tinha tanta barriga, ou melhor, tinha a barriga de gorda e não de grávida, aí ficava um pouco “mais fácil”.

Com os meses, a coisa foi complicando. Algumas vezes, admito, deixei de fazer. A moça do laboratório dizia “minha linda, precisa fazer” e eu respondia “querida, não rola”.

Juro pra vocês, nessas horas eu queria ser menino. Eu queria poder mirar dentro daquele potinho e fazer xixi. E vê-lo enchendo e fazendo espuminha do lado, como milk shake saindo da máquina e enchendo o copo. Não sei se os meninos precisam fazer “higiene” antes de mijar no potinho. Alguém sabe?

A enfermeira olha pra você e diz: “você deve fazer a higiene. Se limpar com essa gaze e depois passar essa para secar. Aí você despreza o primeiro jato e colhe o restante”.

Oi? Despreza o primeiro jato? E quando tem que ser a primeira urina do dia. Aquela que você está segurando desde a hora que levantou da cama. Gente! É impossível segurar xixi estando grávida! Ainda mais com um barrigão de 7, 8 meses! Quem dirá então desprezar o primeiro jato. O que você quer é sentar e fazer xixi! Ouvir aquele “xuááááá” e se libertar do aperto.

Aí você senta no vaso. E tenta mirar o potinho na saída da periquita. Você que não está vendo nada por causa do barrigão, ouve o barulho do xixi caindo na água do vaso. Aí você coloca o potinho um pouco mais pra frente e sente o xixi molhando a sua mão. Atire a primeira pedra, aquela que nunca teve a mão molhada pelo próprio xixi!

Aí você segura o xixi de novo e metricamente vai tentando achar o local correto para posicionar o potinho. E finalmente consegue acertar. Só que daí, quase que o pote não chega a metade, pois enquanto você tentava acertar o buraco, você “desprezou” mais do que o jato inicial...

Toda sem jeito, coloca o potinho de lado, seca a periquita, se veste, lava as mãos, dá uma limpada no potinho por fora, dá a descarga, sai do banheiro com o sentimento de que poderia ter "sido melhor". Aí a enfermeira olha e diz; "mas só isso?" A vontade que tenho é de despejar todo o pouco xixi que consegui colocar dentro do potinho, na cabeça e no jaleco branco dela. Mas, me limito a dar um sorriso amarelo, tão quanto o xixi.

Não, não estou grávida. Voltei pra minha barriga de gorda. Resolvi deixar registrado aqui o meu problema com exames de urina, pois tive que fazer esses dias - por conta da artrite. Mas, continuo tendo dificuldades para fazer xixi no potinho!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Parto X Cesárea

Eu não ia escrever sobre isso. Daí resolvi escrever. Aí vieram outros temas que eu priorizei. Mas, daí, as pessoas te cutucam, te provocam, perguntam, querem saber mais – alguns para se informar, outros para criticar, enfim... aí eu resolvi escrever sobre isso.

QUE FIQUE BEMMMMMMMMM CLARO: Quem está escrevendo isso, não é uma médica, não é uma doula, não é uma enfermeira obstétrica, nem ninguém da área de saúde. É uma jornalista curiosa. É alguém que acredita na força da mulher. Alguém que leu, pesquisou, brigou, se informou. Alguém que descobriu ter essa força e que quer passar isso para outras mulheres.

Como eu falei para vocês em um dos meus primeiros posts, o parto começa na cabeça da gente. Se você tem a intenção e essa intenção vira uma vontade crescente dentro de você, meio caminho andado. A outra parte a percorrer é você ter opinião, pesquisar, ir atrás do seu objetivo, ter um médico DE VERDADE, que te auxilia no parto – sim, por que o médico não faz o parto, quem o faz é a mulher e ele só ajuda. Ter pessoas positivas ao seu lado, também fazem a diferença.

Mitos como “o bebê é muito grande”, me fazem rir, principalmente por ter em casa uma mãe de 1,68m que pariu três filhos, sendo um deles com 6kg redondos. Circulares de cordão no pescoço, também é outro motivo que ouço que “impediu” o parto e foi motivo para a mãe cair numa “desnecesárea”. Li esses dias que teve uma atriz, que não quis que o filho nascesse “em virgem”, por que ela é de leão e o marido de capricórnio, daí não teriam um lar harmonioso... cada coisa...

Tem também os absurdos. As cesáreas agendadas para comodidade do médico, por causa de um feriado prolongado que ele quer aproveitar para viajar, ou devido a agenda do consultório, para não bater. Aqui, outra coisa que quero deixar claro: entendo que o médico, quanto profissional, tem que ganhar o seu pão de cada dia. Entendo mais ainda, que está EXTREMAMENTE defasado o valor que ele ganha de repasse dos planos de saúde – e por isso, muitos cobram da paciente a taxa de disponibilidade de parto. O que eu não entendo é transformar o nascimento de uma criança, numa linha de produção.

Lembro que quando estava em trabalho de parto, o Arthur conversava com o médico, e o marido perguntou quantas cesáreas ele teria feito até o momento. Ele disse que umas quatro. Estamos falando mais ou menos de 6h de trabalho de parto. Talvez alguns médicos, nesse período, façam até mais. Essas horas agradeço, infinitamente, por ter tido um médico que me respeitou. Valeu Dr. Edson!

Mas, voltando ao título do post, vejo que falta muita vontade de buscar informação da parte de algumas mães. Que o enxoval, a pintura do quarto, o nome e até a roupa de saída de maternidade, são mais importantes que o parto. Ouço de algumas mulheres que “eu fui guerreira” em ter um parto normal. Outras que eu sou louca. Ouvi de uma grávida que ela quer ter parto normal, mas não quer ficar “sofrendo” como eu fiquei. Oi? Sofrendo? Como assim gente? A pergunta é: QUEM DISSE QUE EU FIQUEI SOFRENDO?

Tipo, a justificativa que me falam é que fiquei muitas horas em trabalho de parto (14h20 para ser mais exata), “sofrendo” com as contrações. Daí, quando eu conto que não foi sofrimento algum, me olham com desdém. Falo e repito: prefiro muito mais 14h20 de trabalho de parto e as contrações, do que a dor que senti nos seios para amamentar.

Quando dizem que fui corajosa em ter um parto normal, eu acho engraçado, pois pra mim, corajosa é a pessoa subir numa maca, levar uma injeção na coluna (a anestesia), ficar sem sentir nada da cintura para baixo, te amarrarem as mãos, um médico cortar sei lá quantas camadas de pele, gordura, útero, até chegar ao bebê e tirarem ele de dentro de você. E ao invés do bebê vim para o seu peito, você poder abraça-lo, cheirar, sentir o corpinho todo sujinho de vernix, esperando o cordão umbilical parar de pulsar para poder ser cortado, você ter que ficar dentro do centro cirúrgico esperando costurarem a sua barriga, enquanto são feitos vários procedimentos com o seu bebê, sem você poder acompanhar. Isso sim, pra mim, é uma mulher corajosa!

Se uma grávida me diz, que ela não quer um PN por medo de sentir dor, eu respeito. Ativistas podem atirar pedras, mas sabe por que eu respeito? Por que eu tinha muito medo, mas muito mesmo, de fazer uma cesárea. De entrar num centro cirúrgico. De tomar anestesia. Só de pensar na agulha, me arrepia! Tinha medo de ser cortada, de sentir mexerem na minha barriga, lá no meu útero. Olha que loucura: eu chego sentir arrepio, náusea, só de pensar que eu poderia ter caído numa mesa de cirurgia e alguém ter tirado a Angelina de dentro de mim. Sim, por que é assim que eu imagino uma cesárea. A criança não nasce. Ela é tirada do útero da mãe. Ponto.

Algumas ativistas do parto normal, vão me criticar ao ler este post. Talvez me vejam “em cima do muro”, outras vão dizer que meu discurso não está condizendo com o que defendo, ou sei lá, vão me julgar por algum motivo.

O que só quero dizer aqui, na minha humilde opinião, enumerando no caso, é que:

  1. Ninguém é mais mãe ou menos mãe por que teve um parto normal ou uma cesárea;
  2. O que aconteceu com a mãe, vizinha, tia, amiga, o cacete a quatro, não quer dizer que vai acontecer com você. Não é por que “todas as mulheres da família tiveram cesárea” que você tem que ser mais uma na lista. Você quer um parto normal? Você quer o melhor para você e para seu filho? Informe-se!
  3. Persistência é algo que você precisará também. Muitas pessoas vão falar para você desistir. Muitos te chamarão de louca. Há aqueles que, inclusive, dirão que você é dos tempos da caverna. Sorria e responda “vamos esperar para saber o que o bebê quer” e mentalmente mande a pessoa para o inferno, isso te fará um bem danado;
  4. Quanto menos você falar sobre o seu PN com pessoas ignorantes, melhor. Evite estresse. Evite confusão. Isso só fará mal para você e para o seu bebê. Respeito virou item de luxo e infelizmente são poucas as pessoas que tem esse sentimento para com o outro;
  5. Fuja dos médicos fofinhos, que na primeira consulta que você vai, diz que “vamos ver” se “vai dar ou não” para “fazer” o parto normal. Ele não vai querer embarcar com você num PN. É o que eu falei lá em cima: cesárea dá mais lucro. Fica esperta!
  6. Se de tudo, você não conseguir um PN, por indicação clínica REAL, não se atormente. O importante é que você pesquisou, foi atrás, lutou pelo seu parto, pelo nascimento do seu filho. Se não foi possível por algum problema REAL de saúde, você ao menos tentou, certo?
  7. Acima de tudo: busque, brigue, lute, informe-se sobre os seus direitos e, principalmente, pelo direito de nascer bem, do seu filho. Respeito, essa é a palavra para nortear sua gestação, seu parto, a criação do seu filho e, acima de tudo, A SUA VIDA!